A tarde estava estranha. Sentia-se tensa.
Quando carregou a bandeja de ovos pochê e café para a sala, percebeu que o fogo estava estalando com violência na grade da lareira e Zac, de calça caqui e camisa de lã preta, estava ajoelhado colocando mais carvão no fogo.
- Oh! - ela disse. - Eu já ia fazer isso.
- De agora em diante, eu faço. - Ele lançou-lhe um sorriso rápido quando se levantou, acrescentando: - Não quero que você estrague suas mãos, cara. Ou faça algo que dê ao seu admirador mais uma desculpa para aparecer.
- De uma vez por todas, ele não é meu admirador.
- Não mais, certamente - ele concordou, sentando-se à mesa.
Ela estava tentando pensar em uma resposta adequada quando sua atenção foi desviada.
- Oh, Deus!, está nevando novamente.
- Isso é um problema? - Zac serviu-se de café.
- Seu carro - ela disse. - Achei que fôssemos conseguir sair daqui.
- Para onde? - Ele parecia educadamente interessado.
- Isso importa? Para longe daqui. Afinal de contas, nós dois temos de voltar às nossas vidas.
-Não, caríssima. A previsão do tempo no jornal avisa que as estradas nesta área estão intransponíveis. Além disso, foi você quem tomou a decisão de vir para cá.
- Não fazia idéia de que seria assim - ela disse balançando a cabeça. - Oh, Deus!, fui uma idiota. Devia ter me dado conta de que era uma armadilha.
- É assim que você vê isso aqui? - Zac perguntou. - Pois eu acho delicioso. Um lugar remoto, tranqüilo. Ideal para se começar uma.vida de casados. Você não acha?
- Você não quer saber o que eu acho - ela disse amargamente.
- Talvez - ele disse -, se você relaxasse um pouco, Vanessa, poderia aproveitar a estada aqui também.
Quando terminou a refeição, Zac limpou a mesa e levou a louça para a cozinha. Vane seguiu-o e encontrou-o na frente da geladeira olhando para o frango.
Ele disse:
- Você quer cozinhar isso em vinho? Quer que eu pegue na adega?
- Não, obrigada. Só vou assar.
- E estes são os legumes? Quer que eu ajude a prepará-los?
- Não precisa. - Ela hesitou. - Esta cozinha é muito pequena.
Houve um breve silêncio. Depois, ele disse, de forma cortês:
- Claro. Perdoe minha intromissão. Ele desapareceu na sala.
Depois de limpar a cozinha, Vane também foi para a sala. Zac estava concentrado no jornal.
Ela sentou-se no sofá à frente dele e ficou observando as chamas da lareira. Mas percebeu, depois de um tempo, que estava lançando olhares discretos para Zac. Nunca tinha passado tanto tempo sozinha com ele. E por pelo menos metade desse tempo estivera nua.
- Você sabe jogar xadrez? - ele perguntou repentinamente.
- Sei movimentos básicos - ela disse.
- Gostaria de aprender?
- Não, obrigada. Sempre preferi gamão.
- Sim - ele disse. - Lembro-me disso. - Ele fez um breve silêncio. - Tem um jogo de gamão lá no armário, se quiser jogar.
- Oh, não. Só joguei contra meu pai.
- E um adversário diferente está, certamente, fora de questão - ele disse sem expressar emoção alguma.
Houve outro silêncio.
- Existem livros aqui, e trouxe outros comigo - Vane mencionou. - Estão lá em cima.
- Livros românticos para mulheres? Ela disse friamente.
- Um deles é Anna Karenina. Não acho que entre nessa categoria. E também têm algumas histórias de detetive. Pode pegar emprestado se quiser.
- Grazie - ele disse. - E também tem um rádio, um baralho e três quebra-cabeças. Mesmo sem televisão, não nos faltam opções de diversão - ele acrescentou com escárnio.
- Sem momentos de tédio - Vane comentou e levantou-se. - Vou pegar os livros.
Ficou surpresa quando entrou no quarto e viu a cama feita, como se nunca tivesse sido usada. Era a última coisa que esperava de Zackary.
Ela tirou a mala do armário e virou-se quando colidiu violentamente com Zac de pé ao seu lado.
A boca ficou seca.
- O... o que você quer?
- Ajudar você - ele respondeu pegando a mala da mão dela. - O que mais poderia ser?
Ele saiu do quarto e desceu as escadas. Vane seguiu-o. Ela disse:
- Desculpe. Eu... eu pensei...
- Eu sei o que você pensou. Mas estava errada.
- Mas você não consegue ver por que quero sair daqui? - Ela olhou para ele de forma defensiva. - É muito apertado! E se continuarmos a nos esbarrar vai acabar levando a algum desentendimento.
- Só na sua cabeça, cara. - Ele parecia entediado. A atenção agora estava focada no conteúdo da bolsa de livros. Ele escolheu a obra mais recente de Patricia Cornwell, que Vane tinha reservado mentalmente para si.
Mas não iria comentar. Qualquer coisa que deixasse a mente dele longe dela era um bônus.
Foi um alívio quando pôde desaparecer na cozinha para preparar a refeição.
Mas assim que o frango começou a chiar no forno e que os legumes ficaram prontos não havia nada mais para impedi-la de voltar para seu lugar na sala.
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